Empurrões Locais

James Connolly

09 de setembro de 1899


Primeira edição: Workers' Republic, 09 de setembro de 1899.

Fonte: Red Banner, No. 2.

Transcrição: Aindrias Ó Cathasaigh.

Tradução e HTML: Guilherme Corona.

Creative Commons BY-SA 4.0


Cork rebelde!

Ora, ora, quem diria?

Cork, cujos homens do Trabalho deram um exemplo esplêndido a Dublin(1); Cork, cujos homens do Trabalho lutaram para entrar no Conselho, enquanto os homens do Trabalho de Dublin apenas imploraram para entrar; Cork, cujos homens do Trabalho forçaram as Sessões Noturnas(2) enquanto os homens de Dublin não tiveram a virilidade de tocar no assunto; Cork, cujos homens do Trabalho, assim que estiveram dentro, aumentaram os salários e melhoraram as condições dos trabalhadores da Corporação; Cork agora dá uma guinada no caminho da reação, e seus conselheiros traidores de classe média dão um terrível tapa na cara do Trabalho.

Durante uma única sessão a regra que estabelecia as Sessões Noturnas, e a regra que forçava a inserção de uma cláusula de Salários Justos em todos os contratos da cidade foram rescindidas pela maioria do Conselho Municipal.

Um conselheiro informou com gravidade à reunião que se a cláusula dos Salários Justos fosse mantida ela fecharia todas as fábricas do país dentro de doze meses.

Isso é o mesmo que dizer que todas as fábricas da Irlanda dependem de um pagamento baixo sistemático dos seus empregados, e que se elas pagassem o que é conhecido como um "Salário Justo" elas se arruinariam rapidamente.

Lembre, um Salário Justo, como entendido aqui, não significa nada mais do que um salário estabelecido como padrão pelo esforço do sindicato no distrito.

Não é um salário ideal, nem mesmo necessariamente um salário alto.

Pode até ser um salário de fome.

Só é "justo" na medida em que é o padrão acertado entre o sindicato e a maioria da classe empregadora.

Portanto, quando o Conselho Municipal de Cork então rescindiu a resolução obrigando um salário justo, eles estão virtualmente declarando que o salário padrão do distrito é alto demais, e então convidam todo empregador na cidade a recusar continuar pagando esse salário aos seus empregados.

E clamar o exemplo do Conselho Municipal como sua jusitificativa.

Toda a infeliz performance é uma confirmação da verdade que eu já apontei, que a classe empregadora é o inimigo mais imediato dos trabalhadores irlandeses, e que até reunamos coragem, e adquiramos conhecimento, o suficiente para expulsar essa raça doméstica de tiranos da vida pública não precisamos nos enganar com a esperança de que os portões da emancipação nacional serão abertos para nós.

O opressor inglês, de fato! Porque, aqui são irlandeses - governantes eleitos pela Cork Rebeld - abertamente declarando que a prosperidade da Irlanda depende do roubo da sua classe trabalhadora, e que insistir para que um Salário Justo seja pago arruinaria o país.

Então mostrando que quando os homens da sua classe falam de "amar seu país" eles não querem dizer que amam o povo, mas somente o solo - a terra inanimada, não os vivos, sofredores, homens e mulheres.

Mas eu tenho toda esperança que os trabalhadores de Cork irão, na próxima eleição, lembrar dos homens que tiraram os direitos políticos e sociais do trabalhador.

E lembrando disso, dar a eles um descanso muito necessário das exerções municipais.

Os Conselheiros do Trabalho de Cork foram cuidadosos para se desassociar do ISRP(3) durante e imediatamente após as eleições.

Eles desejavam respeitar os "direitos de propriedade", e, penso, honestamente acreditavam que as classes proprietárias poderiam dar ouvidos à razão e aos apelos da humanidade comum.

Eles sabem melhor agora. Eles devem ser capazes de perceber agora que os membros da classe proprietária estão tão cegos pelo desejo do ouro, têm suas almas tão manchadas pelo desejo de poder, que eles não podem ser convencidos, ou desaconselhados do seu objetivo de manter ilimitados os direitos para saquear, não mais do que o tigre na sua selva pode ser convencido ou desaconselhado de saciar seu apetite com sua vítima indefesa.

Os homens do Trabalho de Cork devem agora, na luz dessa última lição objetiva dos instintos canibalísticos da classe empregadora, reconsiderar sua atitude diante do Partido Socialista Republicano.

Ouçam, ó, homens de Cork!

A classe empregadora disse, através dos seus representantes no Conselho Municipal, que ela não fará compromissos com vocês, mas lutará até o fim.

A única resposta que vocês podem dar, e ainda preservar seu respeito próprio, é aceitar aquele desafio, e dizer a eles em adição que já que eles não farão compromissos com vocês, nem vocês sonharão mais de fazer compromissos com eles, mas

Que de agora em diante vocês organizarão a classe trabalhadora para lutar por todos os frutos do seu trabalho, tudo que ela produzir pelo seu trabalho, que só pode ser dado a ela pela subjugação e despossessão da classe proprietária.

Quando vocês pedirem sua extinção como classe eles não podem lutar mais duramente do que já fazem agora.

Portanto, que a República Socialista seja seu lema; as ferramentas para aqueles que as usam, o produto para os produtores.

A República Socialista! O que isso significa?

Significa que as indústrias de Cork devem pertencer ao povo de Cork, que os sindicatos organizados de Cork encontrarão em suas próprias fileiras homens para assumir todo o trabalho de gerência e superintendência dessas indústrias, que vocês, os trabalhadores, poderão eleger homens adequados para tais posições, e tendo eleito eles serviriam sob eles tão fervorosamente como agora servem os capatazes escravizadores de um empregador privado; que portanto o capitalista é desnecessário, e os lucros que ele agora absorve poderão ser retidos para o uso dos trabalhadores - para quem eles adequadamente pertencem.

E que, livres da necessidade de manter esta classe ociosa e supérflua, a extensão do dia de trabalho poderia facilmente ser cortada na metade, enquanto a remuneração do seu trabalho pode ser multiplicada por quatro.

Que ninguém passe necessidade, que ninguém trabalhe demais, que ninguém possa viver em ócio insolente, que o homem não mais seja o predador do homem, que a JUSTIÇA seja efetivada.

Que a propriedade produtiva - toda propriedade mantida para lucro - seja feita propriedade pública da comunidade, Estado ou Cidade, e cooperativamente operada pelo trabalho da população adulta, sob quaisquer regras que eles possam querer colocar para seu progresso.

Isto é o Socialismo, em resumo. Não é tão ruim, não é?

Mas a mera defesa disso arrancaria por medo mais reformas da classe mestre do que todos os discursos que se pudesse fazer sobre os direitos do Trabalho.

SPAILPÍN